Covid-19:famílias relatam o sofrimento por falta dos velórios de entes queridos que falecerem durante isolamento

Duas famílias relatam a experiencia vivida, diante da impossibilidade do velório. Após ter sido decretada a proibição de aglomeração de pessoas durante a pandemia.

Famílias relatam a tristeza, de não participarem do último adeus a seus entes queridos, em meio de pandemia.

“Você quer a família por perto”, este é um relato do advogado Marcos Araújo da Silveira, de 51 anos, que realizou o velório da sua mãe, apenas cercado pela sua esposa e de poucos amigos. Devido ao isolamento, por causa da pandemia do coronavírus, foi decretada uma medida de grupos com um minimo de pessoas, e já estaria decretada onde esta família reside em Ponte Nova.

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Infelizmente, o isolamento social acaba por afetar em todo o mundo. Principalmente, quando se trata da perda de um ente querido, familiar ou amigo. Mas devido à pandemia, mesmo mortes que não sejam causadas pelo covid-19, não podem ter um velório normal, também são privadas do ritual mundial no enterro.

“Além de ser importante conseguir elaborar essa perda física e, a partir disso dar mais sentido à vida, novos rumos, mesmo depois da perda daqueles que mais amamos”; explica o psicanalista Maurício Rafael.

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Dona Nair da Silva Araújo, mãe do advogado faleceu aos 92 anos de uma vida, vem vivida e aproveitada ao máximo, como disso o filho único. Mas, o mais triste, é que Marcos tem dois filhos, que residem em Belo Horizonte, e lamenta que eles não puderam dar o último adeus a avó.

“O luto da família você deixa de lado o conforto. Deixa de usufruir esse ato. Quando você sente que alguém morreu, você sempre deseja ter a família por perto. Isso, emocionalmente, me abalou demais”, conta. Além da proibição, o advogado conta que entende a verdadeira importância do isolamento. “Infelizmente, não existia outro jeito, de ser diferente”, relata.

Ainda assim, Marcos tem uma data especial se aproximando, seu aniversário, e por estar em isolamento, vai comemorar a data de forma virtual com os seus filhos. Uma vez que eles não podem estar com o pai, nesse dia. Infelizmente, este ano meu aniversário vou ter que passar à distância. Mas para o próximo ano, se Deus quiser, temos a esperança de estarmos todos juntos, mas o enterro, isso é uma coisa única”, disse.

Outro relato de outra família que não se pode despedir no enterro do seu ente querido.

Lucia Machado Haertel, filha do médico Ângelo Machado, também não lamenta que despedida do seu pai, tenho sido de uma forma mais merecida. Ele que era muito conhecido por mineiros, o médico certamente teria um velório público em BH.

“Nem tenho que lamentar. A gente arrumou um jeito, fizemos uma coisa em família bem legal, dentro das possibilidades”, disse.

Restrito à família, o velório teve a duração de uma hora, já na sepultura. A filha, conta que conseguiram tocar a “Sintonia n°9”, de Ludwig Van Beethoven, que era uma das músicas preferidas do pai, que também era professor. Além disso, todas as mensagens enviadas por todo o país, foram lidas ali para ele, que foi sepultado com todos os seus objetos preferidos, um deles uma libélula.

Além de valorizar toda a família presente, a filha ainda se sensibiliza com todas as pessoas que gostavam do pai e que também queriam ter estado para o seu último adeus.

“Fico muito emocionada por toda a gente, mas ele estava rodeado dos filhos, genros e netos”, disse.

 

 

Escrito por Carla Sofia

Sou especialista em Receitas, dicas e saúde! Gosto sempre de estar atualizada de novas receitas e formas medicinais!