Evangélica troca de igreja por preconceito com suas roupas: ‘Era chamada de pirigospel’

"Era chamada de pirigospel", diz evangélica, que trocou de igreja.

Algumas denominações evangélicas tendem a ser rígidas no que diz respeito às roupas das fiéis. Geralmente, essas regras variam de acordo com a congregação, mas em linhas gerais aconselha-se o uso de blusas com mangas, saias na altura do joelho ou até mesmo abaixo, e principalmente cuidados com transparências, estampas e decotes.

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No entanto, nem todas as mulheres estão de acordo com essas regras e se vestem como bem entendem. Foi assim que a secretária Isa Morais acabou enfrentando alguns problemas na Igreja Quadrangular que frequentava desde sua infância.

Isa costumava ir aos cultos usando saia curta, sapatos com salto alto e batom escuro. Ela sempre foi contra o padrão de vestimentas estabelecido pela igreja e sempre se posicionou contra a ideia de que a mulher deve ser submissa ao homem.

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Por conta desse seu comportamento, Isa passou a ser chamada de ‘pirigospel’ pelas costas. O termo pejorativo é utilizado quando uma evangélica é considerada ‘piriguete’ por outros fiéis da mesma igreja.

O estopim de Isa foi quando o pastor da congregação a chamou para uma conversa e lhe pediu para tomar mais cuidado com suas vestes e maquiagens para não escandalizar os irmãos da igreja. Isa estaria chamando a atenção de homens casados que não tiravam os olhos dela no culto.
Essa conversa foi a gota d’água para ela que resolveu se assumir lésbica e deixar de vez a congregação que não lhe permitia ser como era. Hoje a secretária frequenta a igreja criada para os LGBTs, a Comunidade Cristã Nova Esperança, onde pode professar sua fé com a roupa que bem entende.

Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade machista, na qual mulheres não recebem os mesmo salários que os homens e são discriminadas por tomarem determinadas atitudes, como por exemplo, sair com várias pessoas ou usar roupas mais curtas e decotes.

Costumamos julgar roupas, comportamento, caráter – juízes indefectíveis que somos da vida alheia, mas é um atrevimento nos outorgarmos o direito de reconhecer, apenas pelas aparências, quem sofre e quem está em paz. A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de desfazer para manter-se sã. Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só se permitirmos.

Escrito por Pedro Machado

Apaixonado por marketing digital, colunista em diversos sites e páginas do facebook. Trabalhando como redator autônomo há mais de 5 anos. Contato: [email protected]