Médico de 33 anos infectado com Covid-19, antes de morrer disse:”Meus pacientes precisam de mim, e eu estou deste lado”

Médico perde a luta contra o novo coronavírus, em UPA de RJ.

O médico Danilo David Santos, de 33 anos, residia em Belém, e foi uma das mais tantas vítimas do novo coronavírus.

“Os meus doentes, precisam de mim, logo na próxima semana já vou salvar pessoas. Fico observando só desse lado, e só penso que eu poderia estar do outro lado ajudando”.

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O médico ficou infectado com a doença, precisando de ser entubado,no local onde trabalhava, enviou essa mensagem um dia antes para o celular de uma amiga. Desde dessa altura, a família não viu mais o jovem. Danilo faleceu no último domingo de manhã.

Quatro dias antes, de ele dar sinais dos primeiros sintomas da doença, ele ainda atendeu quatro pacientes,também infectados pela doença, na UPA, onde trabalhava e fazia plantões de emergência, no bairro da Tijuca, no RJ.

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“Danilo, lutou, lutou e lutou. Acabou a sua vida na profissão que exercia, e ficou doente na profissão que exercia, e morreu na profissão que trabalhava”, conta Francisca das Chagas de 61 anos, mãe de Danilo, que conta ainda que o filho era muito alto com quase dois metros de altura, e também sofria de diabetes e pressão alta.

O médico nasceu e cresceu numa casa de palafita em Belém, que quando chovia ficava coberto de água até meio da perna. Criado numa família humilde, os pais tentaram de tudo para que ele conseguisse fazer o curso de médico.

A mãe, era manicure e diarista, e o pai era vidraceiro, ambos juntavam o maior dinheiro possível, para que o garoto pudesse, fazer o seu curso num bom colégio. Com 16 anos, o jovem passou em três faculdades, Enfermagem, Ciências Biológicas e Engenharia Ambiental.

Logo após, que iniciou o curso de enfermagem, o jovem tinha um sonho de ir mais além, que era medicina. Após dois anos, ele resolveu prestar vestibular mais uma vez na Universidade Estadual do Pará.

Ele e a mãe, seguiam a tradição de Belém, e ligavam o rádio para ouvirem, nome por nome,da lista dos que tinham sido aprovados, mas não tinham ouvido o nome do Danilo.

Alguns minutos depois, uma amiga surgiu na porta com confetes e serpentina, e deu a noticia que o filho tinha passado em segundo lugar. Ele não quis acreditar, e acabou por ir na casa de uma moradora da mesma rua, que tinha um computador para conseguir obter a confirmação na internet.

Ainda nesse dia a mãe  comprou uma caixa de fogos e fez uma feijoada para comemorar. Ele era o primeiro médico formado na família, então fazer residência na casa de um psiquiatra no RJ. ainda na capital na capital fluminense, ele acabou por conhecer o seu marido, Gilberto Amaral em 2915.

Ambos tinham apenas um completado trinta dias de namoro, Danilo fez um brigadeiro e escondeu uma aliança la dentro e fez um pedido de casamento. Danilo ensinou o namorado a comer”o verdadeiro açaí”então o jovem acabou por convencer o namorado que ele também tinha capacidade de cursar medicina, curso que atualmente estuda.

Mas a vida deu voltas, os planos de Danilo, era que quando o seu marido acabasse a faculdade, estavam planejando adotar duas criancas, que tinham até nome para elas.

Momentos antes de ser entubado,o médico deixou uma mensagem com o enfermeiro:”fala para o Gilberto que eu vou voltar, e quando eu regressar nós vamos tratar da chegada da  Liz e o Gabriel”.

Já em 2017, durante um plantão num hospital do RJ, ele se dirigiu até à porta da emergência para prestar auxilio no andamento da fila. Foi então que surgiu um individuo, e se negou a ser atendido pelo médico, porque apenas ele era “crioulo”.

“Como ele era um paciente que estava numa situação de emergência, eu tive o respeito, e a ética de lhe dizer o seguinte:

“você não tem qualquer condição de dizer por quem vai ser atendido”, Depois do atendimento, o médico prestou um B.O, em uma delegacia, por ter sofrido racismo.

Danilo chegou a ir no programa de “Encontros com Fátima, para falar sobre o racismo.

“O que temos que mostrar, que não é apenas por sermos de cor, se chegámos nesta patamar lutamos, vencemos. Nós temos que um dia de cada vez, nos habituar com os negros em altos cargos, como os negros sendo chefe de equipe, como os negros tendo um papel social elevado e muito mais revelante”, disse o médico na altura.

O médico deixa assim o seu marido Gilberto, os pais uma irma e uma sobrinha por quem ele era eterno apaixonado. “Ele sempre foi uma estrela na minha vida, e vai continuar sempre a ser”, conta a mãe.

Escrito por Carla Sofia

Sou especialista em Receitas, dicas e saúde! Gosto sempre de estar atualizada de novas receitas e formas medicinais!