Papa expulsa padre brasileiro acusado de abusar de freiras

Essa é a mais severa punição que a Igreja Católica pode dar a um clérigo

Nesta quarta-feira, 20, o padre goiano Jean Rogers Rodrigo de Sousa, ou padre José Maria, como era conhecido, suspeito de estuprar ex-freiras e ex-noviças, foi excomungado por ordens do Papa Francisco.

Essa é a punição mais severa que a Igreja Católica pode dar a um clérigo, e significa que Jean Rogers deixa de ser sacerdote.

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A expulsão do padre é o desfecho de uma investigação coordenada pela própria Igreja Católica contra o religioso, que já havia deixado rastros de suspeitas pelas dioceses por que passou. Atualmente, o padre respondia aos bispos da Ciudad del Este, no Paraguai.

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“O sacerdote Jean Rogers Rodrigo de Sousa, desta diocese, recebeu do Santo Padre o decreto de perda do estado clerical e a dispensa das obrigações correspondentes”, diz documento assinado pelo monsenhor Guillermo Steckling. Jean Rogers é acusado de estuprar pelo menos 11 mulheres, e já havia sido afastado temporariamente, mas agora é ordem definitiva.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, correm processos em sigilo contra o ex-padre na Justiça comum, nenhum com veredicto.
Nas redes sociais, Jean Rogers já declarou apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), com citações do tipo “uma Ave Maria para livrar o Brasil do comunismo”.

Com a decisão, o religioso deixará de ser padre 19 anos depois de ter sido ordenado sacerdote. Ele é acusado de estuprar e molestar pelo menos 11 mulheres ligadas à organização que fundou, Fraternidade Arca de Maria. Atualmente ele não tem mais ligação com a instituição.

A medida é a punição mais grave que a Igreja Católica pode impor a um membro do clero e encerra uma investigação canônica contra Sousa, que havia sido transferido para o Paraguai.

Em comunicado, o monsenhor Guillermo Steckling, responsável pela Diocese de Ciudad del Este, afirma que o sacerdote “foi dispensado de suas obrigações clericais” pelo Pontífice. Sousa já havia sido suspenso de cerimônias e proibido de usar seu hábito até o fim da investigação.

Em setembro passado, em entrevista à “Folha de S. Paulo”, ele negou as acusações e afirmou ser alvo de calúnia. A decisão foi tomada em um momento em que Jorge Bergoglio debate no Vaticano os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero que têm abalado a Igreja Católica nos últimos meses.

Escrito por Pedro Machado

Apaixonado por marketing digital, colunista em diversos sites e páginas do facebook. Trabalhando como redator autônomo há mais de 5 anos. Contato: [email protected]