Por que as crianças estão a cada dia mais alérgicas?

As reações alérgicas aumentaram no mundo todo, e as crianças são as mais afetadas devido a genética, ambiente em que vivem e hábitos de vida. Conheça as causas, os tratamentos e as histórias de filhos e pais que convivem com incômodos como coceiras, espirros e inchaços, passageiros ou crônicos

Na primeira semana de vida, Maria Luísa dormia e só resmungava quando tinha fome ou a fralda suja. Mamava bem e o exame de rotina indicava que estava com a saúde perfeita. Até que, no décimo dia, a paz acabou.

A recém-nascida acordou berrando, e nada do que seus pais tentaram – enrolar num cobertor, embalar, fazer massagem no abdômen a acalmava. Foram 15 horas de choro intensoirritação na pelerefluxodiarreia e muita dor.

No hospital, a pediatra viu que o quadro não era normal. A peregrinação por clínicas e nutricionistas durou dois meses, quando tiveram a primeira consulta com um alergista.

O médico cortou leite de vaca e banana da alimentação da mãe, a psicóloga Ivana Aquino, 38 anos, que a amamentava. Após testes, veio o diagnóstico: Maria Luísa, hoje com 5 anos, tinha alergia alimentar múltipla – e das graves.

A lista de alimentos vetados da dieta de Ivana aumentou e passou a incluir ovo, frutas cítricas, mamão, soja, arroz, carne vermelha, peixe, entre outros. Mais tarde, a própria Malu teve de obedecer a mesma restrição.

Epidemia mundial

Mas ela não está sozinha. De acordo com o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), divulgado em 2018, estima-se que 6% das crianças brasileiras com menos de 3 anos tenham alguma alergia alimentar, a que mais cresce no mundo.

Mas, embora esse tipo esteja em plena ascensão nas últimas décadas, os outros tipos (dermatológicos e respiratórios) também tiveram aumento.

“Todos cresceram, e as crianças são as mais atingidas. Estima-se que, no mundo, 20% delas tenham alergia”, diz o médico Antonio Carlos Pastorino, coordenador do Departamento Científico de Alergia na Infância e Adolescência da Asbai.Clique na seta abaixo, após a publicidade, para continuar lendo a matéria.

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