A morte de Oscar Schmidt, nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, não encerra apenas a trajetória do maior cestinha da história do basquete, mas também a de um homem que lutou bravamente contra o estigma da “terminalidade”.
Um dos capítulos mais sensíveis dessa jornada foi sua relação com o jornalista Roberto Cabrini. Segundo o próprio “Mão Santa”, uma reportagem de 2022 foi o que “salvou sua vida”, não no sentido médico, mas no psicológico e social.
Naquele período, o noticiário estava saturado com a informação de que Oscar havia decidido interromper o tratamento de quimioterapia contra o câncer no cérebro, com isso, Cabrini fez algo que o impactou.
A narrativa midiática, muitas vezes focada no “contagem regressiva”, gerava um pessimismo que incomodava o ídolo. Cabrini, ao contrário, propôs uma imersão em sua potência, sua história e sua vitalidade.
A conexão entre o jornalista e o atleta atingiu seu ápice em um momento de honestidade brutal, revelado por Cabrini à coluna de Mônica Bergamo. Oscar desafiou o olhar clínico e jornalístico a enxergar além do diagnóstico:
“Olha para mim durante alguns minutos e vê se estou morrendo”, pediu Oscar. “É, você não está morrendo”, respondeu Cabrini. Essa validação pública permitiu que Oscar se sentisse “poderoso novamente”.
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O impacto foi tamanho que, em 2024, em conversa com Antonio Tabet, o ex-jogador reiterou que, após aquela entrevista, o assunto “morte” parou de ser a única pauta que o cercava. Foi um resgate da identidade do campeão sobre a condição de paciente.
A reportagem de Cabrini também serviu para relembrar as escolhas éticas que definiram Oscar. Ao recusar a NBA em 1984 para manter o direito de vestir a camisa da Seleção Brasileira, ele pavimentou o caminho para a conquista histórica do Pan-Americano.
Ali, ele provou que o poder de decisão era sua marca registrada, fosse para escolher qual arremesso tentar ou como conduzir os capítulos finais de sua própria vida.
Oscar Schmidt partiu em Santana do Parnaíba após uma parada cardiorrespiratória, mas os últimos anos de sua vida foram vividos com a intensidade de quem se recusou a ser definido apenas pela doença.






