As investigações sobre o paradeiro dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael sofreram uma mudança drástica de rumo após a perícia analisar as roupas de Anderson Kauã, o primo de oito anos que foi encontrado com vida.
O que parecia ser uma pista fundamental revelou-se, na verdade, um indício de manipulação: as vestimentas foram localizadas em uma área da mata que o próprio menino afirma nunca ter visitado.
Mais intrigante ainda é o fato de que os cães farejadores não reconheceram o odor da criança nem no local, nem no tecido, e a perícia constatou que as peças estavam limpas, uma condição impossível para quem passou três dias perdido na floresta.
Essa descoberta levou os investigadores à conclusão de que as roupas foram estrategicamente “plantadas” para despistar as equipes de busca. Com o descarte da teoria de que as crianças simplesmente se perderam, a principal hipótese agora é de rapto.
Reforçando essa tese, o rastro de cheiro dos irmãos, seguido pelos cães farejadores a partir do casebre onde foram vistos pela última vez, termina abruptamente na margem do Rio Mearim.
Isso sugere fortemente que os irmãos podem ter sido levados de barco, o que explica a ausência de qualquer vestígio físico nas extensas varreduras terrestres realizadas até agora.
Com a saturação das buscas físicas, que já percorreram cerca de duzentos quilômetros de área entre mata e rio, o foco da força-tarefa deslocou-se para a inteligência policial.
A Marinha concluiu os trabalhos no rio sem encontrar sinais de afogamento, o que deu fôlego à esperança de que as crianças ainda estejam vivas sob o domínio de terceiros.
A Polícia Civil agora concentra seus esforços em investigar o círculo social da família no Quilombo São Sebastião dos Pretos. A mãe e o padrasto das crianças foram chamados novamente para prestar depoimento.
Diante da possibilidade real de sequestro, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil emitiram um alerta nacional em todas as rodovias, na tentativa de interceptar qualquer movimentação suspeita com os menores.
Enquanto as bases operacionais na floresta são desmontadas, a estrutura de investigação é reforçada para que se possa cruzar dados de inteligência e depoimentos.
O tenente-coronel João Carlos Duque reiterou que, embora o terreno esteja saturado, a expectativa é encontrar as crianças com vida em outro local, agora que a perícia e a investigação assumiram o protagonismo do caso.






