Há coincidências que, quando observadas depois dos fatos, parecem intensificar ainda mais a dor de uma perda. Publicações leves, rotinas comuns e brincadeiras inocentes ganham um peso inesperado quando confrontadas com acontecimentos irreversíveis.
Foi o que ocorreu com Giulianny Passos e Wallace Canarinis, um casal de motociclistas que morreu na manhã de domingo, dia 1 de fevereiro, após um acidente envolvendo uma moto e um caminhão-guincho na BR-101, em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina.
Segundo informações da concessionária Arteris Litoral Sul, a colisão aconteceu por volta das 8h, no km 145,1 da rodovia. Por conta do impacto, as faixas central e direita precisaram ser interditadas por cerca de duas horas para o atendimento da ocorrência.
Pouco antes do acidente, o casal havia compartilhado nas redes sociais que estava saindo para tomar café, uma cena simples do cotidiano que agora carrega um significado comovente.
Wallace, conhecido por publicar conteúdos relacionados a motocicletas, e Giulianny dividiam não apenas a paixão pelas motos, mas também a rotina profissional.
Juntos, eram proprietários de um pet shop em São José, na Grande Florianópolis, onde eram bastante conhecidos pela proximidade com clientes e amigos. O que mais chamou a atenção nas redes, porém, foi uma postagem feita quatro dias antes do acidente.
O perfil do pet shop publicou uma brincadeira para anunciar o “funcionário do mês”. A imagem mostrava Wallace em preto e branco, cercado por rosas brancas, em uma composição que remetia, de forma irônica, a um memorial. A legenda parabenizava o funcionário e incentivava que ele “almejasse mais alto”, em tom descontraído.

Após o ocorrido, a publicação passou a ser vista sob outra perspectiva, gerando comoção e inúmeros comentários de solidariedade. Amigos e clientes destacaram o carinho pelo casal e a dificuldade de lidar com uma sequência de eventos tão simbólica.
O caso reacende reflexões sobre a fragilidade da rotina e como momentos aparentemente banais podem se tornar lembranças marcantes.
Entre registros simples, brincadeiras online e planos interrompidos, permanece a comoção de uma história que tocou profundamente quem acompanhou, mesmo à distância.






