Os recentes casos de intoxicação por metanol em São Paulo reacenderam o alerta sobre o consumo de bebidas adulteradas, um risco silencioso que tem ceifado vidas de forma repentina.
A morte do jovem Daniel Antonio Francisco Ferreira, de apenas 23 anos, em Osasco, é um retrato alarmante desse problema crescente.
Ele é a quinta vítima confirmada de envenenamento por metanol no Brasil neste ano, e seu caso chamou atenção pela rapidez com que os sintomas evoluíram após um simples churrasco entre amigos.
Daniel era motorista por aplicativo, saudável e cheio de planos. No dia 21 de setembro, ele se reuniu com a companheira, Josiellen dos Santos, e alguns parentes para um momento de descontração. As bebidas, compradas em uma adega próxima à casa do casal, pareciam inofensivas.
No entanto, no dia seguinte, o jovem começou a sentir tontura, náuseas e fortes dores nas costas, sinais típicos da intoxicação por metanol.
Mesmo após atendimento médico inicial, o quadro se agravou rapidamente: Daniel perdeu a visão, foi internado e, dias depois, não resistiu a uma parada cardíaca.
A companheira, abalada, relatou que outra participante do churrasco, sua prima, apresentou sintomas semelhantes e também faleceu. O governo de São Paulo confirmou, até o momento, cinco mortes e 20 casos de intoxicação relacionados a bebidas com metanol.
Segundo as autoridades, análises laboratoriais comprovaram que a substância foi adicionada intencionalmente em algumas marcas apreendidas durante as investigações.
Diante da gravidade da situação, a Secretaria da Saúde de São Paulo reforçou o estoque de antídotos e emitiu alertas sobre os sintomas mais comuns, como visão turva, sonolência, confusão mental e convulsões.
Além disso, a Justiça autorizou a destruição de 100 mil garrafas apreendidas em depósitos irregulares. A história de Daniel, que sonhava em ser pai e deixou uma filha de 11 meses, é um lembrete doloroso da importância de desconfiar de bebidas de origem duvidosa.






