Perder um filho é uma dor que não se explica. Para Joyce, mãe de Ana Beatriz, de 13 anos, e Anna Jhulya, de apenas 3, a vida perdeu parte de seu sentido em uma tarde que deveria ser comum.
As duas irmãs estavam de bicicleta, voltando para casa após a escola, quando foram atingidas por uma carreta em Itanhaém (SP). Ambas chegaram a ser socorridas, mas não resistiram.
“Perder uma filha já é impossível de descrever. Perder duas é como perder o chão, o ar, o sentido da vida”, desabafou a mãe, que agora tenta encontrar forças no filho do meio, André Vitor, de 8 anos. Apesar da dor insuportável, Joyce também encontrou acolhimento.
Nas redes sociais, ela agradeceu o apoio recebido da população local, que organizou uma campanha de arrecadação para ajudar nos custos do velório.
“Nada pode preencher o vazio que ficou. Mas, em meio a tanta dor, encontramos o abraço e a compaixão de tantas pessoas”, escreveu.
O acidente reacendeu o debate sobre as condições da Avenida Emídio de Souza, no bairro Jardim Oásis. Segundo moradores, a via apresenta riscos constantes pela falta de sinalização adequada e pelo fluxo intenso de veículos pesados.
Uma testemunha chegou a relatar que já havia alertado sobre a possibilidade de novos acidentes na região. Em resposta, a Prefeitura informou que reforços na sinalização viária estão em andamento e que operações de tapa-buracos devem contemplar a área.
Enquanto medidas estruturais são aguardadas, a comunidade segue unida em torno da família. Em sessão na Câmara Municipal, parentes paternos das crianças pediram providências para evitar que outras vidas sejam interrompidas de forma tão dolorosa.
Entre lágrimas e saudades, a mãe resume sua luta: a ausência das meninas será eterna, mas o carinho recebido mostra que, mesmo diante da escuridão, ainda é possível enxergar pequenas luzes de esperança.






