O sepultamento de Alex Sandro da Silva Rocha, de 21 anos, realizado nesta última terça-feira (28), na cidade de Canindé de São Francisco, no interior de Sergipe, encerra uma etapa dolorosa para sua família, mas abre novas perguntas sobre os acontecimentos que antecederam sua morte.
O jovem foi encontrado enterrado no quintal da casa da namorada, em Bebedouro (SP), após ela confessar à polícia ter cometido o crime. A autora, Jussara Luzia Fernandes, de 62 anos, está presa preventivamente, acusada de homicídio e ocultação de cadáver.
Segundo relatos da mãe da vítima, o relacionamento entre Alex Sandro e Jussara era marcado por forte controle emocional. Ivonete Ribeiro da Silva afirma que o filho vivia sob constante vigilância da companheira, que o impedia até mesmo de manter contato com familiares.
A mulher alega que Jussara assumia o controle do celular do rapaz, bloqueava parentes e chegava a adotar comportamentos hostis com outras pessoas em nome dele.
Ainda segundo Ivonete, a relação já apresentava sinais de agressividade e possessividade, e o filho teria demonstrado intenção de rompê-la, apesar dos sentimentos que nutria pela companheira.
Em um episódio citado pela mãe, a mulher teria passado com o carro sobre o pé do jovem, situação que não foi levada adiante na esfera legal a pedido do próprio Alex Sandro.
As circunstâncias do crime ainda estão sob apuração, mas a versão apresentada pela acusada, que afirma ter agido em legítima defesa, é contestada pela família da vítima.
Ivonete acredita que o filho tenha sido dopado, considerando seu porte físico e a impossibilidade, segundo ela, de haver enfrentamento direto entre os dois:
“Até quando ele ia ao banheiro era de portas abertas, não podia nem levar o celular porque ela estava ali controlando tudo. Ela era agressiva com ele. Ela já havia bloqueado toda a família dele. Ela se passava por ele [no celular] e brigava com todo mundo, tinha atitudes racistas com as pessoas”, disse a mãe da vítima
Com o desdobramento desse caso, a Polícia Civil também voltou a investigar a morte de Walter Gilmar de Pádua Carneiro, ex-marido de Jussara, encontrado morto na mesma casa em janeiro.
À época, o caso foi registrado como afogamento, mas a filha de Walter afirma que o pai se sentia ameaçado e queria encerrar a relação com a companheira.
A semelhança entre os dois episódios reforça a necessidade de aprofundamento nas investigações para esclarecer o que realmente ocorreu nas duas situações.






