O trabalho em canteiros de obras é, para muitos brasileiros, uma mistura de coragem e necessidade. Por trás de cada prédio erguido há histórias de esforço, de quem enfrenta o calor, a altura e o risco diário para garantir o sustento da família.
São profissionais que trabalham com dedicação, mas que convivem com perigos que, em segundos, podem transformar o cotidiano em dor e saudade. Na manhã da última quarta, dia 5 de novembro, um desses riscos se concretizou em Blumenau, no Vale do Itajaí.
Durante a concretagem de uma laje no sexto andar do Hospital dos Olhos, parte da estrutura cedeu e desabou, atingindo sete operários que estavam no local. Entre eles estavam dois irmãos, Rogério Farias de Lima, de 49 anos, e seu irmão, cujo nome não foi divulgado.
Rogério morreu ainda no local, vítima de politraumatismo, enquanto o irmão segue internado em estado grave no Hospital Santo Antônio. Segundo as investigações iniciais, o serviço de concretagem havia começado cerca de 20 minutos antes do colapso.
Parte dos trabalhadores caiu de uma altura de dois a três andares, enquanto outros ficaram pendurados pelos cintos de segurança, o que evitou uma tragédia ainda maior.
O impacto atingiu também uma parede do centro cirúrgico do hospital, obrigando o transporte emergencial de um paciente que estava sob anestesia.
Rogério era morador de Blumenau, pai de três filhos e conhecido entre os colegas como um homem dedicado. “Ele fazia tudo pela família”, contou a irmã, Jane Lima, emocionada.
A empresa responsável pela obra afirmou estar prestando apoio às vítimas e aguarda o laudo técnico para esclarecer as causas do acidente.
Enquanto a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros avaliam os danos estruturais e os riscos de novos desabamentos, o caso levanta uma reflexão dolorosa: até quando o trabalho de quem constrói nossos hospitais, prédios e escolas seguirá sendo feito à sombra do perigo?






